16 de mar de 2011

Por aqui!


Os segundo, quinto, sexto e sétimo escrevi com a mão esquerda. E daí? Pois é.


No ponto

De manhã
não durmo,
operário
cumpro turno

desperto
no dia
durmo
na noite
cumpro minha vida
até que me cumpra
a foice

aguardo-me em um fim de semana
fome e sede são rotina
não me peça folgas, excessos jamais
respeite esse horário que aqui jaz



descoberta

A paisagem escrita nos meus olhos
nem se assemelha aos fortes portos
coqueiros tortos índios mortos gaivotas voantes
quais dantes heróicos lusos mercantes
vieram civilizar

Carrego em mim um profundo horizonte
que se arrasta no fundo do mar
e trisca a última nuvem do céu
nele pode até perder-se o olhar
mas nele nunca me perco
pois nele que sou.



estranhoso

E a graça
e o estranhamento
me formigam
confuso minhas idéias
a disparidade me põe na parede
mal sendo para mim e aos outros
questões tão presentes.
me incomodam na busca do conforto
me incomodo no conforto
potes de inquietude
incontêm segundos



armadilhas

E a continuidade
cochichando
dá sono

Mas é mortífera

E meus olhos tediosos
já a fitar como
que raivosos

"Sigamos, sigamos."

Espero não comificar
enquanto tocam a boiada



Vou por ali

Não dependo dessas obrigações
e seus misticismos quebrados que expõem com tanto orgulho
são recalques caídos da parede em que se escoram
parede tão torta feita de corpos ancestrais
pedindo-me para ajudar a sustentar essa pilha
mostrando-me os trapos putrefatos e dizendo:
os Tempos são Outros.
Pois são. tempos de mais corpos de novos cortes de pilhas de novos portes. Novos [tempos Novas mortes.
escalo seu everest. não me soterro
não me salvo. des integro



Lúcifer

Eu sou mais embaixo
tão mais embaixo
que chego a ser em mim



crono grama

As tarefas enchem agendas que nem se tem.
enchem a vida que nem se tem
obriga ações
desgastados intervalos de refeições
trazem pesadelos do apito da fábrica






Inté