29 de dez de 2012

Brindemos!




 


Fim d'ano, dane-se! Ao recomeço!



Post it

Não sei se escrevo para não esquecer o que penso
Ou se penso para não esquecer o que escrevo
Está escrito?
Sem senso



moeda

Economia
Pra ter do que comer
pra dar pra viver
será que daria
somar subtrair
sumir entre moedas
que coisas custam
se gosta se gasta

respirar
valioso
rasura a usura

Ter sonhos que cabem na conta
seduzido por descontos vencidos
com carrinho vazio furar fila de compras



pisq pisq

Luzes de Natal
vagabundas
duram nem a véspera

Mal sabem do Fim
dos mundos
suicidam-se na pressa



branca noiva
negro noivo
anéis dourados

anjos em alvo
ateus em bronze
deuses descorados



Sou místico até a hora do almoço
Depois digiro
Minh' alma entre a carne e o osso



Em tempo

De dia a gente trabalha
De noite:
Pensa

Clareia
clareia as idéias até
Clarear o dia



Tenho me achado maravilhoso
tomo um susto
Desconheço esse rosto



Vivi

Vivi
Vivo
Comigo
Comquem
Vivo

Chorei
Sorrio
Pormim
Porquem
Sinto



À possibilidade

O negócio é o seguinte
preciso ouvir meu peito
tantos murmúrios para facilitar nada
preciso
sinto que o mundo já me deu sopro
agora respiro
organizar o querer é possível?
Mas lhe estenderei uma porção de força
pois já marcho, mas é como se não marchasse
tocasse com luvas meus dedos e os dos outros

Deixo
deixo o cheiro da cozinha entrar
o poço de minhas feras ainda reserva
urros

Talvez para defender seja melhor se despir dos escudos

Mãos às mãos!
À possibilidade



o que mais?

.conciliar conhecidos.
talvez nada além seja preciso
mantê-los distintos
e em cada um, um querido



Pra quê?

Pra quê tentar reter
o vento entre os dedos
quanto maior o aperto, maior a fuga

se mais rápido prende, mais rápido escapa
se o mete em caixa, é ar morto
se o enjaula, ele rirá

não queira domar o vento
não perca tempo
aprenda com ele a respirar

Veja como vai
e sem aviso
começa a voltar



Caro silêncio

Abracei o silêncio
meu mais poderoso ancestral
mostrou-me seu corpo extenso
Levou-me até onde dormia

Não disse nada
Despiu-se com a paciência
de quem quer mostrar-se por inteiro
Deitou no leito
Abriu meu peito
Dormiu em mim

Hoje quando choro
seu negrume aparece pelos meus olhos
mas sinto que se faz confortável
dentro: dois corpos

Sua paciência me ensina
seus gestos me acalmam
seu segredo me desespera
seus conselhos me salvam

Oh, silêncio terno
copo cristalino
d'água pura quase vazia
diz-me algo distinto
arregala meus olhos
abre meus ouvidos

Contigo sei dos sentidos
Retorno profundo
aos reinos remotos
Desinvento
e passo a andar

silêncio, silêncio,
nada mais,
nada menos,

insolúvel
como um amigo
presente

e é em si
se não
nada
mais

um corpo pesado
voando
nu ar



figueira

A figueira da praça
fez tanta sombra pros dias de verão...
Será que já foi pequena semente
fruto no chão?

Hoje escorre de cima
revolve de baixo
seus fiapos fazem troncos
morrerá?

sombra na praça
descansa
até você passa



Cortes

Quantos quilos de rico
para quantos quilos de pobre
emergências do norte
pro sul

pirâmides de carne
mais duras que pedra

Misturados. carne moída
que por mais que cozida
tudo cru



Estamparei meu desejo
na solidão imaginante
talvez também sonhe
com alguém com igo
sonhe junto ou não sonhe
pois eu mesmo de olhos abertos
vejo só coisas de dentro
no abraço entre dois estranhos
no aceno de um pedestre
no choro de ator qualquer
parecem-me o que me aparece



Poupo a polpa

Mesmo com IPI reduzido
baixa na taxa alfandegária
duzentas gramas grátis no quilo
fim da greve rodoviária
desconto mais que exclusivo
embalagem feita de araucária
simultânea transmissão ao vivo
passadeira ascensorista secretária
correspondência com seu estilo
última grife da Itália
Não pago um puto
nem custo nada
sou da graça














Inté

15 de dez de 2012

Diz: face








Novos escritos, projetos conjuntos, planos no ar, férias sem ferugem, dia de chuva. Estou aí...



Eu te verei pessoa
assim como imagino
cinco mais cinco dedos
cabeça ombros umbigo

A idéia logo destoa
frustante és tu fruto
incrustado em meus credos
desgrudas-te? desgrudo

Passa além; o som escoa
esvaem-se as fantasias
encontro e então percebo
sermos o que não sabia



rezo

AmémAmém
RezoAosOmens
AménsAméns
QueDetêmOsBens
AosMensAosMens
MeusDébitosDebatem
OBemAoBem
SeDeusesMeConvêm



Darei trança alguma, descerei as escadas

Quantas castas apartam os amantes
Dinastias a dizê-los distantes
Talvez chorem em torres
Ou com puta dores constantes



tor tur

Se não fizessem de nós
o que nós faríamos deles
talvez seria melhor
se fossem quem sabe
o melhor para eles



Cerveja nula

Cerveja
Na boca
Sedenta
Deseja
Arranja
Uma outra
Encontra
Mas pronta
Desgosta
Inventa
Se anula
Enrola
A língua
Entorna
A roda
Louca



Uma flama voa sem pressa
Mexendo o ar que a envolta
Bóia, inventa faz de conta
Faz gordas gotas, se condensa

Espalha-se e se dispersa
Quase sem cheiro, quase sem gosto
Nem se sabe se haveria oposto
Diriam que é mais que discreta

Uns crêem, uns comem, uns deixam
Que ela respire, que ela se mexe
Ela murcha flutua floresce
Por entre amoça e ameixa

Onde estaria? O que seria?
Mosca morta folha seca enterrada
Parece-me uma fúria delicada
Que me invoca todo dia



ABISSAL

Lá no fundo lar
Muito aquém da vista
No eterno afundar
Pousam parasitas

Mergulham insetos
Surge alienígena
Perdem-se incertos
Restos de famílias

Larvas entre a lava
Mastigam silêncio
Reina a gula antiga
De túmulo extremo

Fervilha mistério
O escuro que os guia
Frio é esse império
Onde o sol não pisca

Lá no fundo cais
Onde não se pisa
Nunca vá, jamais!
Lá não se arrisca

Lá tudo é segredo
Lá tudo é escuro
Lá tudo tem medo
Lá nada é seguro

Lá no oculto lá
No mais molhado imã
Esfria-se a esfera
Que a gente anda em cima



Re tratos

Quem figura na tela
tez exposta
mostra mais do que mostra
amostra do mundo
retrata-se ao todo
um pouco ao mesmo
tempo único

Um entretantos
um entretodos
estampa na face
um instante que depois
nunca mais
E o que se fez
desfaz-se?

Mas na vista algo resta
olhos que dizem
sem saber do que se trata
Insistem no gesto
congelado que jamais
gélido
nos secreta e nos relata

Como se estivesse
em pause
e ainda assim
prosseguisse alguma
ponte
um simples flash
insight

Destoam partes
recortes
Recaem semblantes
feições e frontes
perfis de frente
figuram
gente

Em cara o encarnar
reencarno
no que concerne
o cerne ao ausente
, só concreta o que é
escrita
excreta esquecida

Geram cores gradientes
aquilo que vemos no espelho
espera na folha
mais semblantes
o que diante de nós mesmos
fachada concomitante
casca crente

Aparece o ser
nos pelos da luz
pula
do plano
desapega do pretérito
para
o presente parto

Captura desprendida
a despedida repreende
part ida
em roubo de alma
ensacada em retângulo
escorrega peralta
deita ao melhor ângulo

Pois
me recobre
minha cobertura
,tão profunda captura,
que não recordo
nem reconheço
re trato









Inté

16 de nov de 2012

ZOOM !




O "Um rasgo na não-existência" foi um verso instado pelo Júlio Tarragó, comparsa no verso. O resto é seguir:




Fum antes 

Me afogar na 
fumaça do fumo 
e quem sabe 
sumo 


ESSE 
RISO NÃO 
É MEU 
ALGUMA 
GRAÇA 
QUE MORREU 
E AQUI RESSUSCITA



colar de contas

envelho apegando em preciozinhos
agarro nos cabelos do mundo
para não ser arrastado pelo tempo

afeiçoando-me a frascos
quebrados ou que no
futuro serão

abraçar cacos?

Não

Melhor correr
aos seus
braços
que esses
sem dúvida
irão



És curo

Vou cultivando tristeza
Ver se curo
Vida crueza

Mas a quereria cozida?
prato frio na mesa

Ou Ver de verdade
Ou Ver de certeza

Escuro traiçoeiro
, luz ilesa,
És o silêncio aceso
vitrais de igreja



HOMENHUNO
PLURIOMO
ANTROPOUCO
SOCIOMUITO



Filosofices cíclicas

melhorar as dúvidas
duvidar das dívidas
dividir as melhorias



em paz

choram os mortos
que não choram mais

é o que se pode fazer
pelos que já não podem mais



Um rasgo na não-existência (I) 

Um rasgo na não-existência
pano enorme
plano de fundo
contra o qual plano
todos rasgamos
vazio que nos cerca
vem e nos veda
mas os esbarros
fiapos cruzados
diante do anti
fundam o ser



Um rasgo na não-existência (II)

Um rasgo na não-existência
sem pedir licença irromper
contra o nada que avança
incessante

causar estrago
na trama vazia
vazar o pano do não

do novelo vago
rasgar vida
seguir cisão



quadra

martelo na bigorna
canino cego no nervo
mastigo meu desejo
até virar certeza



Programa

No fim o que viraremos?
pó de primavera
assuntos amenos
sedimento no filtro
impurezas de mijo?

Enfim seremos no fim
senão serafins desnudados
nuvens?
vinhos em garrafas sem taças?
overdoses?

desça o gole
quiça o derradeiro

uvas passas escassas
no novo ano
o findo talvez certeiro



nem triste porque gordo
nem gordo porque triste
sem causa
um e outro



INVASÃO

Começou a aparecer
nos meus sonhos
até aqui?

Cobrarei propriedade
Erguerei cerca

Nem venha se meter
nesse escombro
cá só ser mim!



RUÍDO

Oh, Helenos!
Onde andais?
nas ondas ao menos?
preservados nos sais?

Oh, Helenos!
Onde andais?
descalços desnudos?
a rir dos mortais?

Oh, Helenos!
Onde andais?
de mim alheios?
etéreo gâs?



Por tanto tempo
me ouvi falando
que dei de achar
que me entendia

Pus-me a questionar
pra ver se batia
mas a cada pergunta
mais de uma voz sabia

Sempre que verifico
ainda mais complico
pois insisto em fazer réplica
ao que fui inquirido



Se vieres
não se desvies
de mim

Dê-me adeus
ou nunca volte
vá enfim



me sobra essa sobriedade
que sempre assombra
soa a sensatez
sedenta de seriedade
humilha meu devaneio
desvaria minha humildade



Anóculo

Por trás de óculos
drummundos
de olhos
que abrem
que desdobram pupilas
enrolam luz filtrada
pra dentro do sentido

não há nenhum sentido
só os uso
mas não só










Inté

25 de out de 2012

Seu humano!






Pois é pois é.



Licitação

Perfeito
tudo foi
aceito do jeito
que a gente queria
agora talvez
tenhamos de ir pra
algum lugar que
nunca fomos antes
algum recinto longín
quo qualquer espaço
nave vizinha que nos
leve leves a outro
sistema menos defeito 
com mais arroz 
e menos notícia
com mais lesma
do que velocista
Criemos esse
cosmos sem
criados
, só de aliados
sem padrão



__

Talvez o que explique que o homem tenha inventado a linha reta, seja o fato de seus genes se alinharem no meio das células quando em sua divisão
Talvez amem os pontos em fila por saberem que todos serão atendidos na ordem em que chegaram
Talvez seja seu apego por histórias e a sua noção do tempo, um risco infinito, curvando lento
Talvez; um dia, por acidente, alguém pegou um cordão e amarrou a si mesmo pelo pescoço. Forçando o peso forçando a corda. Em sua infeliz visão olhou para cima e viu a reta estendida sobre a testa. A sombra da linha percorria a exata divisa das duas metades do seu rosto. E a corda se rompeu, de novo mole e curva. Mas a reta permaneceu tesa na idéia do homem.
Talvez os alienígenas
Talvez um chinês que inventou o macarrão e a pólvora previu em seus rascunhos
Talvez nunca a tenha visto ou feito; talvez uma dúvida, um delírio. Talvez nada
Talvez uma estrela cadente que foi fotografada
Talvez primeiro tenha vindo a régua
Talvez um dia precisaram de uma faca e perceberam que se fizessem algo em forma de fio cortaria
Talvez tenha se embebedado tanto em uma sexta que admiraram por muito tempo o pôr-do-sol. Tiveram uma paciência enorme que as montanhas até se deitaram em planícies por consideração e cansaço. Daí disseram reta praquela coisa estranha, um umbigo, uma pedra, que anda mesmo quando tá parada.



Ver a letra encantada
que surge da minha mão
desmamada a manada de vocábulos
encabulados de seguirem descendo e
subindo do que falo e do que leiem
e leio
e leito
e leite
negro
canalizado pelo risco
um rastro do escrito
cravado
que alimenta
aliena?
alucina?
e avança contra o frio
chama
estala o estilo
destila e traga
droga
praga
prego na página



Caixa que encobre
a faixa adesiva
deixa
frouxa
a flecha
fixa que
não prega. espreguiça



Misteriosa vista

Talvez o que mais se veja
não seja o mais visível
quem sabe a vista
se veste duma substância
insípida e irrisível

Uma que nenhum alquimista
conheça a fórmula
que nenhum oculista
enquadre a receita
que nenhum simplista
resuma em cápsula
que nenhum especialista
saiba do que é feita

Vês, ou não?
Pois sim
É isso
gosma que não se explica
se expreme se exprime se mostra
misteriosa vista



Quiroqueda

Da última vez que avancei no tempo
Caí no chão
Meus joelhos íntegros e sangrentos
Minhas mãos esfoladas de previsão



pendular

De cem em cem anos
arrotamos
arrotos soltos no ar
ranços seculares
Mas onde no ciclo dos mal estares?
Ignore
Sinta os ares



CONTRABURRISMO

Fulaninho é muito desinteligente
muito anticrânio
dessas milinanomicromentes
como ignora fulano



UMBIGUIDADE

Meu primeiro amigo?
meu umbigo



Partenogênese

Foi você quem me fez um dia
desde então tenho me refeito
cada vez com mais afinco
quase fábrica, monofatura

Tenho esculpido minhas mãos
e refletido com insistência
quais são as diferenças
entre o meu e o seu reflexo

Parti de si
e prossigo
desde o
primo parto

Distingo
e equiparo
tão símile
fai e pilho



nal dita proposta

Caminhemos juntos
de mãos dadas
ignorantes

Desconheçamos
astros, postes
cartomantes

Cruzemos
cortemos
na multidão
que admira estantes

e por
, quem sabe,
instantes
sermos mais
que um não



um universo
enclausurado
expande

explode
um acidente
incluso na clausura






Inté

23 de set de 2012

Depenar







 Lançei um gibi. Impresso por minhas mãos em serigrafia, quem o pegar saberá como é. Os textos que pus nele vem por maioria dos que aqui já pus, com excessão do primeiro que é feito especialmente para a impressão.  O gibi é irmão mais novo do blog, ainda imita muito mas tem certa independência. Poderão haver outros. O "poema concreto" que vem colorido aí embaixo foi feito para uma matéria de AutoCad que tenho; fiz uma tarefa para além da avaliação. É tudo. Até











Diagnose

O poeta imperador
imperativo
hiperativo cantor
lexicofílico

Um cênico
um cínico
um cíclico clínico
um-ama-dor



Virento

O tempo vai virar
virará tempo
a tempo
virará
vir a ver vira
atento
contra vir
vir a tempo
ver o tempo
virar

vira vento
ventará
virará o 
tempo
deve 
devir
virá
verá
tem vindo
vai vendo




umdoistrêsalvetodos

peco sem pique
sem pegos por perto
onde está fique
ou corra se esperto



apelação

Sou um homem de pelos
 que tem esses dois olhos
que procuram nos espelhos
respostas

sim,
sou este mesmo
Afirmativo

Sou esse homem de pelos
espero que não perca tempo
contando os cabelos
pois são tão tantos quanto o dono

que nasce
e nasceu
mesmo se o cortam
aí é que apelo

Um homem de pelos
por princípio
um erro por certo
eu dentro da letra
esse fora da folha
sem vestes
com vestes
impreterivelmente este

que venham
as lâminas
barbeadores
invistam
meu corpo é este
de corpo de pelos
de couros de sebos
decoro as íris com as quais olho

do corpo as fibras que enrolo
pois sou pelo que sou
pelo que entendo
pelo que aqui
vi
vendo



Me senti 
como um peixe
do mar
Engolindo 
bolhas naquele frio
líquido
ondas e sentidos
ultrassônicos
percebendo
baleias
entre plânctons






Encontro o que quero
No que estou jogando fora
Incrível com vão embora
Meus queridos dejetos







Inté

2 de set de 2012

Mente que avoa

_


Escritos das férias e augustianos:


TARDE DEMAIS
CEDO_________
_____SEM SONO
___AMANHEÇO______



sms

Quanto mais grafite
mais longe
não sei de onde venho
(qualquer mina que se esconde)
cinzas cingindo a folha
e você nem me responde



Cromia

Tem aqueles que tem as coisas bem distintas
cada qual em sua lata
cada cor com sua tinta

Mas tem uns tortos pintores
que mesclam matizes
furtam cores



Sugere

Nem conte
os amargos postos por todos
sem ter augúrio próximo
é que nada se adoça

Desconte
os próprios engodos
perceber o que dentro desgasta
já previne desgostos



Motivos

Em meu ábaco
somam-se sonhos furados
despesas, projetos opacos
britas raras sob seixos caros

esferas absurdas
intragáveis
escorregam
entre rochas
maleáveis

Em meu ábaco
,tear profundo,
há de tudo
menos cálculo



Você que não está me ouvindo
de nome que apelidei.
Não importa se lhe apelido
se não sabe quando usei

Eu que não sei se te ouço
desconfio de cada ruído.
Pois talvez sejas rouco
e também carregue esse grito


uma bolha envolve o grito
assim me sinto aflito



Mais-valendo

E eu que achava
que roubava
mal sabia
que estava
no prejuízo



bicho mais quieto mama da terra
cresce sem deitar
tem umas mil orelhas e denuncia o vento como ninguém
Ali esperando de olho fechado
parece que nem vive
é especialista no tempo
não tem apego com pai nem mãe
veias serpentes contra o céu
carregando seus sucos verdes
quase rezam mas têm preguiça dos deuses
nascem junto da chuva



A velhinha ouve as recomendações atenta. Aje meio lenta, ao seu tempo, e todos acham que é sua velhice. Mal sabem que ela bem sabe de quase tudo. A orientam e a guiam como se seu raciocínio fosse nulo. Repulsa antiga que ela tinha do mundo, aprendera já quase um século de amargas orientações dadas. Entrou pela catraca. Daí vários relutaram contra sua insistência de permanecer em pé antipreferencialmente. Todos recordavam todos para que permanecessem na inércia insone. Fincava os pés. Insistia em sua desobediência. Só ela se sabia como contra. Que por orgulho lhe amarrava a garganta. Com que mãos vibrantes e vozes vagarosas gritavam. Tanto pediram que ela se sentou. E todos engoliram um orgulho que os amargariam em uma progressão vitalícia







Inté

8 de ago de 2012

Futuros lançamentos



 Agosto, longagosto. Julho, julhojusto. De volta à ativa




conto-gotas

Não vendo os olhos da cara:
choro à vista

Sem prazo conto gotas
ao oculista



Transfuso

muriçocas me estrelaram o corpo
o sol me anoiteceu a pele
carrapatos enraizaram meu couro
e a gira natura me gere



Vagas

Quem pode abrir mão
dessas pequenices
que enchem os peitos
de catarros verdes

Enchem de asmas
as francas sedes.
Alguêm aí, que não ceda
só por deter defeitos

Qual, dentro do mundo,
disporia-se a depor
contra as noites de
luto contra o cobertor

Estranhar planilhas
Agendar quadrilhas
Pois quem quereria
arranjar-se pelos desarranjos



Fugitivas

Minhas inéditas idéias
vez ou outra
vadiam por caixolas alheias

não me queixo de ciúmes
só cuido de tapar as orelhas



Ginete

Tudo pode entortar
até a receita de torta
por mais que se siga à risca

tem hora que não sai certa



nóslíricos

Apontei o dedo
pro mundo
e gritei em
primeira pessoa

até que me vi
fincado entre infindas
fernandas pessoas



que que é

Será ganância no peito, doutor?
será que dá jeito?
será um menino,
será?

Serão os maus hábitos
as más companhias
devem ser aquelas sardinhas
que coloquei muito alho

Meu deus, dotô, me explica
se dá volta
se assossega a chaga
se corrige o defeito

Não é possível
que é assim
não há maneira

vem eu mesmo
e estranho
vem estranho
e me vejo



Corro muito para perder as vergonhas
se paro agora é para amarrar os cadarços
ou arrancar as que entram nas unhas


dois mil

Já é dois mil
e não piloto carro que flutua
já é dois mil e ainda como feijão
não tem daquelas pilulazinhas
que valem como refeição inteira
maquinazinha que vá por mim na feira

nada. Ainda não fui na lua,
e a rua, a casa, a árvore ainda no chão.
 Quiabsurdomeudeus.
Já é dois mil
e não alcançamos a imaginação



no horizonte um oriente errante_
___________o sol não revela
na bússola a busca distante ____
____        ____o céu senterra



Quando vi já tinha salário
e a hora agora é horário,

pois me dei conta de uma conta no banco
que sempre que me encontra põe em prova
minha matemática
raquítica e problemática
emagrecendo minha grana
com essa mínima placa plástica








Inté

20 de jun de 2012

Por que não falam mais?





Mais e mais. Sempre, ou quase nunca.





Seu nome me consome
sua suma me consuma
Mesmo se sumo sua soma
nunca some esse seu sumo



COMJUNTO

Já pensou 
se fossemos dois?

Primeiro eu te invento
Aí a gente vê
o que faz
depois



Perco o pouco eu que 
desenhava minha sombra
invadiram meu breu

Outros contornos
extravasando
outros meandros
infiltrando

me sinto outro me sinto

eutrotornando



nem decore o coração
que vai que ele descora
vai que pinta outra paixão



Toda tola tentativa que faço não
me cansa de tentar esse cansaço
extenso________escasso
Que nutre a contra-força e 
encontra o encanto do contato



ocorrências

¿Já pisaste em pregos
,ou ardeste em lava,
sentira teu corpo esmagar-se
em seu centro
derreteste

¿Repentinamente digeriste 
uma mágoa
que apodrece o sangue
solidão negra 
digerindo os músculos

¿Alguma vez implodira
expelira sucos cáusticos
pelos ossos rangeste pedras
nos órgãos embutira morte
com os olhos engolira o chão
arrefeceste
?

eu não



Curto

curta a curta vida
antes que ela te corte
antes que alguém a furte

curta, curta vida!
longorizonte sem saída



delírio

Colhi lírios,
mortos lírios,

nunca mais
líricos

nunca mais
lírios

depois de colhidos
restos vestígios

sempre menos
lírios

sopram menos
líricos








Inté

16 de mai de 2012

Células conjuntivas





Essas aqui não tem taxa



Um sol de morrer e uma vida de matar.
Data: 20/12/2011





Jogar sem fim, e sem fins
Data: 30/12/2011





O que duas letras não (re)fazem
Data: 17/01/2012





Vendo sobra(n)do
Data: 24/01/2012





Canso dos meus descasos
Data: 25/01/2012





Cada palavra é um crime
Data: 04/03/2012





"não confie em citações"
Data: 28/03/2012





A luz vai amassando as coisas com uma paciência que nem os imortais aguentam
Data: 11/04/2012





Temos duas coisas em comum: nossas diferenças e nossas sincronias
Data: 11/04/2012





Há o insondável
Data: 25/04/2012





Tudo que termina um dia acaba
Data: 09/05/2012





Não fazem mais passados como atualmente
Data: 10/05/2012





Vaga luz do vaga lume diverge na estrela divaga no estrume
Data: 10/05/2012





Até parado a gente corre risco
Data: 15/05/2012







Inté

3 de mai de 2012

Pois elas não falam







 Taí, vão uns desvãos:




D'aqueles que flutuam

Eu tinha asas
tinha sim
duas, cinco, onze
tinha uma, tinha

E usava-as não sei como
espanando armários
provocando cócegas

tão graúdas
como deltas
tão miúdas
até insetas

e imensamente leves
que se desprenderam de
minhas costas

lento e espesso
olho-as
fremendo
acenando
suas palmas penadas pela janela

abrindo
como se me chamassem
por uma porta
entreaberta




Reformo

soltos. Talvez até mais se se imaginassem presos
Cada instante separado
lacrimejando separadamente
as gotas lágrimas escorrendo
à procura do chão
que todos sujeitamos

aqui estamos
sem nos encontrar
o desencontro nos une
os contratempos nos confrontam
desconfortam
e inconformado
constantemente deformo



só acredito em 
coincidências
quando acontecem



Beleza despertando ira
até capaz das coisas mais feias
Em nome de rosas
dizer asneiras



óleo amargo
ludibrificando
o povo polia




Simpatia

Pessoas se encontrando
cometas colidindo
de um telescópio observando
meus acidentes mais lindos



de primatas

bonóbos e guaíbas
de brinquedos
bananas e goiabas
de comidas
bobeiras e algazarras




cada qual doma
seus demos



in sãna consciência
cometendo normalidades



céu

luz sim
sombra não

mas se nenhum dos dois nunca se vê
?

reluz-se tudo
assombra-se sempre





No parapeito
do meu peito parado
está um leito
sujeito ao sereno bruto
britas
nas quais deito
em terra
em lençol sujo



Amargura

com o pranto da vergonha
derramado no sangue
Pedro derrete
em um susto
do raivoso
ao inerte

geléia humilhada
convivendo com a palma dos pés
ainda a face remanescia
enquanto a substância escorria pelo ralo



Há os que seguem
seguem os que existem

comigo
nesse mundo exato
consigo
conseguintes:






 Inté

31 de mar de 2012

Eram pardos, todos nus


Para explicar-me perante a platéia: F.K.=franz kafka, C.&S.=cruz e sousa, G.S.=gregor samsa. O resto não tem explicação






Retisente

Dentro da cabeça
uma teima com
o mundo

uma cisma
um cisma
mas que contudo


Penélope

SEM PRESSA
O PRESO
ESPERA

agora na praça
a moça cantarola
uma música fina
de espreitar grades

SEM ESPERA
O PRESO
PRESSA

e a música fiando o tempo



F.K.
C.&S.
G.S.

Tem dias que acordo tão frágil
sem pálpebra nem audição

formas negras contra o céu

espilo os espinhos de gelo
dos pés e das pernas
e sento no escuro encosto
de minha cama
sem tórax
sem membros
sem pênis
sem voz

uma cabeça oca que flutua
tremendo como a chama de uma vela
sem fogo ou gordura
com um lampejo só
piscando
nas vagas orbes
do crânio
dissolvendo-se
em



milhas

casais copulando em casas
corações que se avizinham
migalhas divididas
em milharais dilatantes

meros esmeros
que se cuidam
se amparam
e aparam

gugus e gagás
alimentados na boca
vovós e babás
amassando sopas

todos atados
amando
tocando feridas
tateando afagos
suspiros mútuos

rodas de
ciranda
macas e
merendas

mães
e mãos
irmãos
imãs
cães com cãs
em casas-cais
pães compartilhados
e mesmo os filhos levados:
descansem pais



um ano passa
em questão
de segundos



tenho escamas
cúmulos
tantos quereres
que insultos
inserem
pulsos onde
nada espero



gotas tocando piano
su



um pra quê
imenso
mal cabendo
no corpo



couro

infectado pelo afeto
começo a estar com outro

outro ferido
outra ferida

encara
cara
couro



Hiato

E como tudo se
transforma,
um átomo na
aparência e
todos aparentemente
mudam

transtorno os
produtos
quando visto
outras embalagens

talvez os átomos
se expandam
talvez implodam
e descasquem a névoa
em que nos embebemos

para os dias
leitosos
gotas do meu sangue
que espirram contra mim.
e mancham
a marcha amorfa
dos dias



milhares

milhares de milagres
empacam meu pessimismo

empesteam
meu abismo

arruínam
meus pesares



Há um passo

Disto um verbo
Digo um passo
fracos fracassos
passam perto
tão perto
tão gastos
que fazem fatos
e todos meus
aflitos fetos



herda

Terminalmente vivo
Sr. Cláudio escreve
seu testamento:

até breve
deixo tudo à caridade
doe a quem doer

os parentes condoídos
ausentaram
as festividades



Pero Vaz

nenhum
cobertor
aos
descobertos



Jaz um jazz
no beco escuro
Tanto faz
o beco é surdo











Inté