25 de out de 2012

Seu humano!






Pois é pois é.



Licitação

Perfeito
tudo foi
aceito do jeito
que a gente queria
agora talvez
tenhamos de ir pra
algum lugar que
nunca fomos antes
algum recinto longín
quo qualquer espaço
nave vizinha que nos
leve leves a outro
sistema menos defeito 
com mais arroz 
e menos notícia
com mais lesma
do que velocista
Criemos esse
cosmos sem
criados
, só de aliados
sem padrão



__

Talvez o que explique que o homem tenha inventado a linha reta, seja o fato de seus genes se alinharem no meio das células quando em sua divisão
Talvez amem os pontos em fila por saberem que todos serão atendidos na ordem em que chegaram
Talvez seja seu apego por histórias e a sua noção do tempo, um risco infinito, curvando lento
Talvez; um dia, por acidente, alguém pegou um cordão e amarrou a si mesmo pelo pescoço. Forçando o peso forçando a corda. Em sua infeliz visão olhou para cima e viu a reta estendida sobre a testa. A sombra da linha percorria a exata divisa das duas metades do seu rosto. E a corda se rompeu, de novo mole e curva. Mas a reta permaneceu tesa na idéia do homem.
Talvez os alienígenas
Talvez um chinês que inventou o macarrão e a pólvora previu em seus rascunhos
Talvez nunca a tenha visto ou feito; talvez uma dúvida, um delírio. Talvez nada
Talvez uma estrela cadente que foi fotografada
Talvez primeiro tenha vindo a régua
Talvez um dia precisaram de uma faca e perceberam que se fizessem algo em forma de fio cortaria
Talvez tenha se embebedado tanto em uma sexta que admiraram por muito tempo o pôr-do-sol. Tiveram uma paciência enorme que as montanhas até se deitaram em planícies por consideração e cansaço. Daí disseram reta praquela coisa estranha, um umbigo, uma pedra, que anda mesmo quando tá parada.



Ver a letra encantada
que surge da minha mão
desmamada a manada de vocábulos
encabulados de seguirem descendo e
subindo do que falo e do que leiem
e leio
e leito
e leite
negro
canalizado pelo risco
um rastro do escrito
cravado
que alimenta
aliena?
alucina?
e avança contra o frio
chama
estala o estilo
destila e traga
droga
praga
prego na página



Caixa que encobre
a faixa adesiva
deixa
frouxa
a flecha
fixa que
não prega. espreguiça



Misteriosa vista

Talvez o que mais se veja
não seja o mais visível
quem sabe a vista
se veste duma substância
insípida e irrisível

Uma que nenhum alquimista
conheça a fórmula
que nenhum oculista
enquadre a receita
que nenhum simplista
resuma em cápsula
que nenhum especialista
saiba do que é feita

Vês, ou não?
Pois sim
É isso
gosma que não se explica
se expreme se exprime se mostra
misteriosa vista



Quiroqueda

Da última vez que avancei no tempo
Caí no chão
Meus joelhos íntegros e sangrentos
Minhas mãos esfoladas de previsão



pendular

De cem em cem anos
arrotamos
arrotos soltos no ar
ranços seculares
Mas onde no ciclo dos mal estares?
Ignore
Sinta os ares



CONTRABURRISMO

Fulaninho é muito desinteligente
muito anticrânio
dessas milinanomicromentes
como ignora fulano



UMBIGUIDADE

Meu primeiro amigo?
meu umbigo



Partenogênese

Foi você quem me fez um dia
desde então tenho me refeito
cada vez com mais afinco
quase fábrica, monofatura

Tenho esculpido minhas mãos
e refletido com insistência
quais são as diferenças
entre o meu e o seu reflexo

Parti de si
e prossigo
desde o
primo parto

Distingo
e equiparo
tão símile
fai e pilho



nal dita proposta

Caminhemos juntos
de mãos dadas
ignorantes

Desconheçamos
astros, postes
cartomantes

Cruzemos
cortemos
na multidão
que admira estantes

e por
, quem sabe,
instantes
sermos mais
que um não



um universo
enclausurado
expande

explode
um acidente
incluso na clausura






Inté