22 de ago de 2013

Volta quem vai




Amigos, leitores, internautas; olá. Na próxima semana darei início a uma saga que me propus a fazer. A essas horas, na semana que vem estarei em Nanquim na China, e por muitas semanas lá ficarei. Tomarei aulas de chinês no primeiro ano e no seguinte, se tudo correr certo, estudarei Paisagismo na Southeast University (ironia). Não sei como ficarão as minha postagens nesse blog por esse tempo; mas afinal ele tem sido o registro mais acessível dos meus versos para os que me conhecem antes da escrita e aos que me conheceram por ela. Deixo nesse abraço de palavras uma despedida com sabor de cumprimento. Aos que me lêem, meu mais sincero obrigado. E aquele que volta, é aquele que vai!





Levito
na via
Láctea



Superar Domingos
Priorizar Segundas
Acertar Cestas



Objeto VII

Muda a tal ponto
que nota a própria mudança
Desbota a gola
do terno de herança

Muda tão sutilmente
que se assusta no resultado
Como é que estava
o que hoje tenho estado



Objeto VIII

Luz do raio lebre
enquanto tartarugo trovão
O quanto o primeiro corre
o segundo não

Primeiro o brilho
Segundo o grito
Flashes ao vitorioso
Vaias ao vencido




Objeto IX

Os frios que minam de mim
sinto com afinco
são meus
sou deles

Não há como calar meus frios
tapá-los seria engulí-los
corram livres
meus filhos



Objeto X

De par com a vassoura
a moça valsa
Limpa sua dança
contra o chão

Baila cabisbaixa
fiel à magra companheira
E a vitrola lixeira
de saco cheio dessa marcha




Objeto XI

O pio do passarinho
é sumo de milênios
Piada entre evangelhos
berros, birras, hino

Pequeniníssimo som
indecifrável, imenso
Gastam seu silêncio
em cantos que precisam



Objeto XII

Esquento a água
Preparo o tempero
Corto, Descasco
Exagero no sal

Calculo o tempo
Esqueço a panela
Desvio a receita
Fabrico-me nela



Serpente

Conversava com as minha sombras
e elas não se expressavam por palavras
só desvios de olhares traduziam

fizeram sua visita noturna
os risos sedimentavam
e aflições afloravam

Sombras minhas
pedem chão

Recebo com assombro suas incumbências
e sinto vibrarem meus órgãos

Que conversa mais vã
eu gritando contra as trevas
e elas me cercando em um abraço
eu indagando entre silêncios
e elas apontando ao túnel turvo

Receio,
mas entrando me curvo

Pois são sombras
sombras minhas
sombras
sombrias








Inté