6 de mar de 2013

Para lavar o que tem que limpar









Mês chuvoso. Só pra manter claro, cada varição de alinhamento do texto é um novo poema, às vezes sem título. Fica a fita:



Chove meu 
corpo pela
cidadela
na janela
cubos de
meus ossos
cutucam o
vidro. Cortei
-me para fugir
para mim. Caio
com um raio
veloz feito a luz
perco a tez
troco a voz
escorro nas
esquinas dos
encontros, mas
me escapo.
Encherei os 
bueiros e os
carros serão
barcos
derivando
na minha
superfície



Esbarros do dia
não suprem os sufocos
noturnos. Não
passo de um
ser vivo servindo
de si mesmo para o sim
e os encontro
ius encontros que faço?
Não fugirei
no perdido passo
ergo a cabeça
para encarnar
o fundo



Já rasguei os contratos 
de guerra
coloquei-os por terra
caíram as folhas 
secas. Dos
húmus, berços de
sementes, pescoços
verdes sustentam
meus olhos




Os homens tristes
fecharam a janela
O vento
num só
movimento
Varreu os ânimos
Já se foram os furacões
resta a tela sombria



 carma coça sarna
pulga não salta
praga rola solta



O que tenho a dizer para mim
troveja no que digo aos outros
Paro e ouço




Nada confuso
o parafuso
Pra ser expulso
anda ao revés



Pergunta-me
o que já sabe
Respondo o que não sei
Diz o que queria ouvir
Paira um ignorante
Porque



Todo dia chove às cinco horas
as nuvens me servem de relógio
Melhor ter guarda-chuva
melhor ter relógio
Vai que ando na rua
e começa cair lógica
na minha cabeça



Público

Prego na forca
até a cabeça na corda
morto
duro
ar e olhos são cova
grudados
na memória


Rosa à esposa
Amante à ardosia
Uma atração cheirosa
por musa rochosa










Inté