25 de abr de 2011

eclipses


Eu narro sim, e tô vivendo.


MIRANTE

Aos que esperam digo não,
sim, nego;
Nego a linha do horizonte.
desespero no agora.



Aguarde um momento

Seguir em frente
ter um sorriso guardado no bolso
para dar de troco ao acaso sempre é bom.
Sempre é bom prevenir
sempre bom reter a indigestão das mazelas
em recipientes

E olha sempre à frente,
à frente de si.
e olha-se só de si pra frente
adiante, sigamos.

Em nome dos dias melhores
em nome dos dias que não se tendo
ter-se-a

Qual dia amanhã
com a paciência de certeza
e a incerteza da espera?

Qual dia virá
se vira-se ao avesso do presente?

E promessa futuras tornam-se dívidas futuras
a serem pagas quando o futuro for entregue.
Não aceitam devolução

Pois não devolvem o que não têm
mal o que têm, têm
não têm
terão

Então por que o nunca desse lá?
Porque há esperança
a resistir como um elástico
a distância entre o
agora do eu futuro
e o futuro do eu agora

cabo de guerra solo
de uma corda que está por ser feita



De como o dia e à noite

E a louça aumenta
nos dias
Quantas pilhas
nos dias
montanhas louçeantes
ora lavamos, ora sujamos
pra entreter as mãos
e os dias
a as louças
que crescem
Como roupas esquecidas no fundo do cesto
e os serviços de casa
renovados viciosamente.
Que como cascas revestintes
Que como indigestões
Que como rancores moídos granulados mastigados calmamente para cultivarmos em
[seguros vasos plásticos pretos com furos no fundo para não estancarem uma água [preta podre
Que como pia entupida
Que como engasgo
Que como todo dia a dia a dia a dia a dia a dia a dia a dia a dia
Que adia o dia em que o dia finalmente seria
Morrendo arfando emperrando

Malditos restos

E a pausa
um dia porre
alucinogeante
diante Avante Espante
Palpita o frágil cardíaco dia
passa até ver sentido nas cápsulas cotidianas
para o susto e para a monotonia
e a pílula mais pílula
que pilula a vontade de não remediar-se
irremediavelmente
sem cura

E o dia até atura
a festa impura.
ó coitada.
dizia a criatura:
"Entendam, ela é escura!"
cochicou o dia ariano aos convidados não menos.

Ah mulata festa
Ah alvo dia
a escrava não presta
Ah, mas se prestasse como serviria.

E o dia abafa o gozo na fronha branca
branca fronha branca

Besteira
nem paixão nem nada
só fogo de palha
Paixão de Carne
paixão de carne escura Barata

o dia espuma a boca de desejo
Quero cravar-lhe um beijo
esculpir o seu fundo negro
e mostrar-lhe quem manda
nos segundos minutos tempos comandos tão certos ao meu passo pisado lacrado na
[lama em pedra que o caminho que caminhas, eu piso
afinal sou eu quem cheira rotina

Ô seu branco, tá mais cheirando a mofo!

Mofo o caralho, preta bunduda!
Esqueceu quem paga o seu colchão sua cama e o seu lençol
quem sustenta o seu sustento?

Ah, branco safado, quem me dá com o que vivo
é meu corpo minha bunda meu prazer
o meu negro é o que me sou!

Vagabunda ingrata, me dá prejuízo me nega me trai
e ainda vem dizer que não precisa de mim,
sem mim você é porra nenhuma!

É o que me falta, acha que sou burra,
eu fico contigo porque não arranjei um outro ladrão
que me dê suas migalhas
E ainda me vem pedir exclusividade?
Posso me vender mas não sou sua mercadoria!

os gritos reverberados interceptam-se
e ninguém distingue as vozes muito bem
escuta-se os murmúrios destoantes
nas câmaras internas
ecos escuros
tão gritantes são que transbordam nos poros transpirantes nos suores salivas fluidos
[óleos sebos
Cada gota expelida conservando a polifonia constante
os olhos embriagam-se na confusão crómatica
Daltônicos somos nós.
Mas mesmo surdos
cheiramos-nos tons.








Inté


20 de abr de 2011

Vortemo à terra do sol


Estou em Goiânia. Estado de volta.


A LUA OBESA

planava no jardim e na mesa
prato imenso
servia-me o céu.
comi o meu dia inteiro
e a prata esfera de sobremesa



eixos

teus pontos cartesianos
tuas celas binuméricas
tão certas
são grãos de areia
que voaram da praia
e pousaram na tua folha branca.
tão exatos
quanto o acidente
da vida.



MEO DIA

e aqui
piso nesse ar seco
raspo-me nesse limpo azul
amacio-me no suor de meus poros
sou eterno céu que me cerca
.respiro.
.penso.
.paro.
.continuo.

cá momentos são inteiros
com seus fins começos.
o prazo de se poder estar.
.estou.

à sombra quente
olho imensamente
os ponteiros pedem tempo lentamente
lento
leito que me deito
.descanso.

Descasco as idéias
pois a paz me invade demais
não quero tanto sossego.
mas sou tanto sossego.
me desassossego
pois quero desquero as paragens que vejo
paradas nesse tempo
paradas em mim
pois as coisas parecem presas.
E eu caço e eu caça.
Caço a dor que me desacompanha,
pois aqui encontro
plena paz
plena paz
plena plena paz
plana paz
.tortuo.

Torço distorço,
as retas tão retas
os planos tão planos
são implantes
próteses
que eu aqui amoleçido pelo tempo, tremulando ao vento,
tento mudar meu fora moldando meu dentro.
profundo e denso
tenso e sou teso
para enfrentar-me lá fora
.encorajo.

Na minha cara, carne que ajo,
rubro
no calor
que me ferve e ferve o fora
bule as pedras de gelo
ebule os calçamentos negros.
remexe as fronteiras do cá e lá
tremula as divisas do eu de dentro do outro de fora
rui os limites do eu do mim
movimenta
e fluidamente transcendo a peneira da pele e
escorro nas valetas
subo nas sarjetas
encrespo nas gretas
infiltro nas muretas
embaço as vidraças das saletas
e arranho os céus
pois deslimito
vou além
voô além
e nem mau nem bem
.nasço.



volver

Quando volto; mal retorno
nem me vejo quando sobro
nesses bumerangues ébrios
tontuo
pontuo o passado
e passam por mim
pontes do tempo
estradas passadas
tempos de outro



Duvidas

Já não sei o que pensar
já não penso o que penso
agora escrevo
agora leio
me ponho em extenso



Perdoai

Pedi perdão
para o mundo
por não ter pecado tanto quanto devia
por não ter rezado antes de dormir
por ter tido medo da redenção
por ter morrido sem vergonha
e amado tudo o que odeia
o amável











Inté

3 de abr de 2011

Saída de emergência




O "GPS" foi um achado dum tempo atrás, talvez notem dissonância.


olhos de lado

E o casal se beija
deliciando-se gesto
e o resto dos olhos
ficam na carência
por não poderem triscarem-se a vida inteira



são curtinho

Dê três pulos em nome do santo dos achados e perdidos,
não se esqueça dos pulos



falar-se

A expressão em si mesmada
parece errada
manca, coxa, arrastada
falar vago,
vagas abertas
porta entreaberta
entre o vão a ser
e o nada nadando solitário



racionais

Tudo faz sentido
até o buraco do umbigo



destempo

O grito mais rouco
me empacava a palavra
me travava o verbo
, como disritmias brotam,
e até as provoco com os
espinhos na mão
me ardendo a pele
ou mesmo provocando o alheio
tão desregulado
atiçante
mal lembro a rima ou o sentido
o passado passa sem vestígios
tonto torto
tateio perdições
dum labirinto
agora
.



Con vencido

já destruí tanto muro
que qualquer meio-fio me soa absurdo.



espelhos

mil vezes me vi
mil vezes fui
quantas outras não mil vezes
me sou sem me ver



tempivida

A parca linha de minha vida
desfia conforme meu texto



distorcionista

O herói da ironia
levanta o estandarte risonho em meio à agonia.
dando rasteiras no próprio pé, já manco.
orgulhante
estonteante
deliciando cega acrobacia



MÍNIMA

Não desejo,
existo
.



o caminho mais rápido

O homem apressado
pula a janela
pula depressa
para não perder tempo



GPS

não sou em mi
sou em ti
por não ser me
sou se
desfazendo-me-se
confundindos
pelos
seres
que serdes



Bocejo

preguiça me espreguiça
na rede
me enredo desvontade
tudo tão
tão



World Trade Center

fuste foste ao chão



Dia adia

Morrendo
aos poucos
su
cu
len
ta
mente



da cadência

Que boas intenções
ponha em sua cabeça
por lado talvez certeza
qual gelatina
preenchedora

perco sentidos

estou para mim
assim como para o desgosto
tédio em mim exposto
enquanto desengano
o jeito é seguir











Inté