1 de jun de 2011

Osbama




Pensei em partir e publicar espaçadamente esses textos. Mas não, dou o corte em uma faca só. Taí



Conteúdos

O que o nome diz do santo?
o nome diz, simplesmente
Diz. E aí dele nós dizemos
as letras que sabemos.
Até inventamos.
Como girassóis intestino
lâmpadas óleo e ácaro
confundem-se em nossas bocas
Nossa boca retem mundo
nossa boca envolve
todo o planeta
e também guarda
o oco preciso
vazio.
Bolsa de significar
somos da boca pra fora.



Doente

Quando a moléstia me abate;
me vejo desfigurado.
com algumas lembranças em delírio
e presságios de um futuro não.
quando a moléstia me abate
me encontro perdido
e a moléstia me mata aos poucos
pois quem vive está a morrer
e quem morre desiste da vida

procuro perdões nos termômetros mais simples
nos graus de febre mal entendo o que necessito
, preciso é de respostas para as minha novas mazelas

mazelas que crio
que passo
passo por febres incendiantes
que queimam todos termômetros que me mediam.
que fervem todos colchões que me amorteciam

temperaturas que perturbam meu temperamento.

no delírio da noite
a esperança dos dias não me aguarda.
não espero nada
só estou no turbilhão
rodando espiralmente
não estando em mim
como se o relógio tivesse freado
e naquele instante não houvesse passado.
nem promessa

só o mal estar ficando
só eu mal estando
estado instável

Entre a saliva e o vômito.
entre a brancura e o desmaio.
entre a certeza da alucinação e a dúvida dos sentidos;
vivo doença



Aterro

E os problemas vou carregando.
levando os até ter onde deixá-los
acabá-los como é difícil,
as costas corcundas acham mais fácil curvarem-se
do que meus braços terem forças para remover meus chumbos,
aliás minhas mãos também estão ocupadas,
carregando sacolas repletas de latas
sacolas já fartas
sacolas exaustas
sacolas pesadas
continuo em levar

tem hora que jogo fora,
o problema que é leve,
mas os gordos e calejados são como ossos
pesos necessários
problemas necessários
maus necessários
de se jogar no lixo



requisições

Quando talvez o desgosto
bater na língua
outros sabores vão azedando
e outra língua vou inventando
mal me engulo
entalo na goela
necessito outro idioma
novas palavras, venham!
necessito de outras letras.



apanhando

E o espírito masoquista
parece apossar-se
Se tivesse pedras na mão
talvez não aceitasse
e o pior é que o problema
não é a pedra ausente
é essa consciência meio doente
esse não saber-se inconsciente
deslocar vitimado
condenar intermitente



oratórios

Homens do falar.
Como falam...
deus me livre de ser
tanta palavra.



Conselho

ouça tantas dicas
até não poder recomendar erro
a paciência traz louros
benefícios vindouros
a de dar tiros certeiros



primeiras vistas

Guardo um desprezo sempre pronto
previno-me da inocência.
suspiros de surpresa?
encantos de chegada?
Não, já me amassei demais!
Já me amassei
me amasso
ainda me amasso
Ah, quantos suspiros ainda passo!
; e quando passo a não os querer
quero torná-los extintos

esses sobessaltos
fazem-me achar ignor antes de saber
tantas esperanças previas soam inocência
e não sou inocente
pois eu sei; e já provei das coisas

eu sei
eu sei
eu sei que não quero pare ser menor
menos
reduzido
não quero menosprezar
, mas não me intimido, nem adoro

enquanto isso convivo
sobrevivo
conflito
eu entre outros
outros entre mim



CHAMADA A COBRAR

as chamadas sempre perseguem
a cada instante chamadas
necessito atender várias vozes
vários atenderes
que trotes passo e quantos não faço
quantas requisições pedidos deliverys
e ai de quem recusar falar com esses
terá a linha cortada

ah fones gritantes
buzinas
meus ouvidos estão cheios
repletos de desouvir
espero não acabar surdo
de tão cético
já desfalecido e insano
desa(en)tendendo o mundo



aparelhos

Hoje a esperança me sorriu
Eca; dentes verdes.



Legere

O que uma letra trocada não troca
pois se grilo vou e sumo
ou então paro só e fumo, errando-me em outro rumo...



carnumana

Ocupo o mundo com meu corpo
Meu corpo me ocupa inteiro
Meu corpo é meu copo:
sou vinho
Meu corpo é minha cor:
sou preto



metas

Comprar um melhor conforto que não me lembre a dívida que ele me causou.



Autonomia

Me supus adulto, independente
autônomo por poder decidir quando estou só
, ou desacompanhado
já me sinto grande,
pois já posso decidir as maneiras
da minha solidão



Quimera

Poderia te jurar o mundo
jurar tudo
jurar eternamente
o que os astros dizem
o que os deuses querem
jurar todos cristos e cruzes existentes
jurar em nome dos que sabem
e dos que morreram.

Como poderia jurar,
juraria até a mim se pudesse,
prometeria não errar
jurando nesse erro.



Carta a Bin Laden

Desisto de bater todos os pontos
Aboli o uso dos desodorantes
Cuspo na cara dos vigias e do espelho
Chutei todas lixeiras
Furo as filas
Rasguei páginas de revistas de consultórios.
Desinvento a regra
Fundo meu país no coração do meu desgosto
Construo meu desafeto em plena praça pública.
sou ambulante vendendo patentes
sou ladrão distribuindo dívidas
curandeiro das doenças
Sou um terrorista cotidiano.



Moneotário

Faz frio em meu bolso
gélidas moedas
faz frio em mim
gélidas moedas

pratico as trocas invariavelmente
como à crédito
bebo à prazo
convívio normal sem sequelas de ressentimentos

Mas há momentos que o escambo me abocanha
e sinto o frio crescer em minha entranha;
frio de por-me à moeda
acúmulos de centavos
assentados no estômago
cofre de mim
cofre das coisas que me valem
valores que me custam
custos que pago
a pagamentos do eu



conta vermelha

Bendito seja o daltônico
que nunca deve a ninguém



demagogagia

Então, quem vota a favor de uma eleição?



temporada

olho da janela do apartamento:
frio
cheiro o escuro da noite:
frio
entulho minhas roupas na fogueira:
frio
espero o verão:
frio



homiurbano

A rua é fria
e o trânsito congestiona meu nariz
como em meio a escapamentos
posso me dizer orgulhosamente urbano.
Brado em buzinas meu hino de glória.
Hasteio minha bandeira em meio a rua escura
dos postes noturnos e brilhantes.
Sou civilizado!
Civilizado sou!



Domingo

nasci num domingo
, digo numa sexta
aliás nem nasci
sei que esqueço
lembro vagamente
deste dia.
recordo que sou
e tenho certeza que não quero
nascer num domingo.



LOCAIS

Mal estar
Onde?
Como assim onde? só estou mal.
Mas está mal onde?
Mal e pronto ora
Ah... e assim mal estar em que lugar?
Deixa pra lá!
...
...
Lá onde?



saber o que quer

ouço o que quero
diz o surdo



Surpresa

Como tem gente que é o que a gente não espera.



planos

Sim, há volta
nem sempre
, mas há
seria até mais fácil pensar na justiça sem esses retornos incovenientes
um mundo mais certo
reto
as indicações funcionariam tão bem
e as coisas já seriam menos imprevisíveis
sendo elas como o que se tinha como elas
Sendo elas, elas.
Sendo.
Permanecendo em um estado:
eterno.








Inté