30 de out de 2011

Sempanhias


E o ano? Cadê?



do paradigma telecomunicado

Longe parece que não existe
não vendo não é
falta o que me falta pois
você, palavra

não você que aqui
que acá
que aquém

com essa minha vergonha de não querer sempre
essa vergonha reflexiva
talvez preso à minha pessoalidade
que vive a conjugar verbo
necessidade
de existir a qualquer custo
mesmo longe
o mesmo perto



Dentre cá pus

Clandestino
com o calor da respiração
latejando entre os panos
estou atrás da máscara

os tipos que passo são turvos como eu
minhas muitas peles
me recobrem de medo

meus pelos
que arrepiam pelo que passo
talvez não se assustem com esses meus medos

Guardo um grande cansaço
que cabe justo
no tamanho da minha cama

Durmo, com certeza
tenho pesadelos
mas eles passam

e eu?

fico
acordado



ao pôr dum sol

Passava uma fileira de formigas
passava uma fila de elefantes
nem mesmo a sombra explica
a pequena lógica dos gigantes



mina

Tenho em mim o fogo
que mexe
e que chama
a minha vida
queima

força imensa
imansa força

fazendo a fé dos meus feitos
por que um só coração para dois peitos?



Antes de tu do
era diferente
ao igual que era

do que era que conhecia
que ria
desconhecido
graças
ao que pensava
ser melhante

Esperas quantas
possíveis
horas
de recordar
agora não mais
mas antes sim
mas antes era



Das conformidades

Por que são feias algumas pessoas?
Tão mais belas seriam se mais belas fossem...
seriam até outras pessoas



séc. XIX

Dentro estou cheio de coisas
as quais muitas vezes não sei
até o que sei está aqui dentro

como a luz que varia entre o laranja e o azul
das nuvens que não variam e variam entre o sol

E o que há em mim?
o que comigo anda o que comigo canta o que comigo come
?

Quantos órgãos aqui vibram
que por vezes eu ouço
e talvez sinta esses meus peristaltismos perenes
esses músculos que estiro
o sangue que corre em mim mais do que correria

Chamo a ciência para fazer-me ciente do que em mim é presente e ausento
Chama que em mim consome
o que existe embaixo da pele



ÂNSIA

E quer tão bem
que quer tão perto
que quer tão bem
que quer tão perto
que quer também
querer incerto
que quer
que quer
que quer
que quer
querer que queira
como quero



Estranhos, álcool e eu

Envolto de estranhos e do álcool
desconheço o meu redor

um casal se beija
por línguas e olhos passam o tempo
entre enlaços de abraços sorrisos e pernas que se amontoam
estampam a indiferença com o mundo

com os estranhos
comigo
com o álcool

E vão como se dissolvessem no ar
sem se despedirem dos estranhos de mim e do álcool
partem para longe
para onde talvez dois já estavam

e eu

e os estranhos

e o álcool

permanecemos
eu perturbado
por também ser dois
e um
e só

todos falamos. é claro
e bebemos
e estranhamos por sermos tão iguais nesse desconhecimento
com que coragem conseguimos nos olhar não sei

olho o vazio que de nós três vaza

inventamos a música, o ritmo
discutimos a política
reclamamos iguais
e inventamos o tempo
para não morrermos cedo ou tarde demais
que festa dure o tanto que deve

o casal
já lá deve estar
onde já lá estavam

álcool, eu e estranhos
cá estamos
até quando pudermos três ser



Incerto

Claro como um sol
já tenho certezas
meio escuras e agres
sivas como as minhas
incertezas mas eu
misturo o que quero
com o que não. Escre
vo direito com a mão
esquerda. extenso
em curtos dizeres
meus curtos dese
jos; queixas de
mim aos demais es
frio na geladeira
do meu peito. às
vezes congelo o
que toco, a quem
toco. E malditas
dores que provo
co; invoco mil
demônios que me
perseguem da gar
ganta aos ouvidos.
Peço desculpas a
quem firo; aqui
me refiro a ti e a
mim, nessa veia aberta
que chamo eu.



Uma Fora

Oi
Tchau



a quem merece

S eu não quis
não chore.
a dor é minha



Na ausência das luzes

Por segredos deitava com mentiras

até apontava erros
com os defeitos insisti
criando mil jeitos
para que ainda permanecessem
assim secretos

E que besteira
como se no escuro esses estivessem.
como se não fosse claro que esses me eram ocultos

nas ausências mais evidentes
é que posso não enxergar
e ter absoluto
o vazio
que me oculpa









Inté

29 de out de 2011

Células sensoriais


Outros vindos dos chips



A vida é tão pequena pra se pensar em átomos
Data: 02/10/2011



O tempo virou chuva chuvirada chuvarada
Data: 02/10/2011



Old is chool
Data: 06/10/2011



Um dia mudo para melhor falar
Data: 07/10/2011



Pedirá tréguas àquela que não se entregou. Àmante que amará, amarra que adiante. Barbante, nó, corda, sufocante.
Data: 07/10/2011



Foi num dia de chuva. Azul de céu, cinza de escuro, úmido dia, noite de sol. Fundo tempo. Profundo lembrar. No barro embaixo do pé a lama se molha e cria a memória. Quando criança, relembrâncias, inventâncias, há outras dez mil infâncias por trás de cada gota contra gota. Pé contra poça. Vento contra corpo. Tormenta sem mar. Mar mar mar dentro de mim. Mais dentro estou e fora ondu lar.
Data: 08/10/2011



O que fala, o que sente, o que muito e pouco. Ou frio ou tanto. Vazio completo vago: o que dentro o que fora desvivendo amemória.
09/10/2011



Se ao menos as tarefas cumpridas comprassem um tempo livre, se não essa tanto que por tanto já me poupei pede-me mais metas
Data: 11/10/2011



No fim da vida saber do tudo que já bebi Desse rio que engulo, nesse tempo que me corre
Data: 23/11/2011



Tal calor já me dá calafrios
Data: 27/11/2011




Inté

9 de out de 2011

Infiltrações


O "advinho" é uma inspiração augustiniana, qualquer coincidência é mera semelhança.


aero plano

Vou voar
para além
voarei
e quando menos sei se um dia já voei
é quando já pairo distraído no ar
quando não gravo a idade
quantos pés que plano
ah tanta altitude
quando percebo
meus pés no chão



hipocondria

Uma felicidade miúda
tão viva como uma cárie
me doeu alegremente
jamais comi açúcar
mas amo estar doente



apreendiz

como te gostar
ainda aprendo
e o telefone tocará
e eu o que farei
atenderei
direi
errei
...
não sei



valor

Quanto custa
um susto?
um cacarejo
um furo



Das ilhas

sirvo-me de isolamentos
só fico
e só zinho converso comigo
com eu
comeu toda companhia
o momento monopolizado
me sentiria bem
se são fosse eu
quem me sentisse



sóis

são nuvens está cheia de paulos
repleta de ruas
cheia de carros
são coisas são vidas
sãos isolados
colírio aos olhos
olhos molhados



em

E calma pedi aos céus
e carma os anjos me deram
enquanto os dias vêm pelo que vivo
as linhas lançam o tecido
que tinjo que lavo

milagonias andando por aí
apressando os passos
apertando as mãos
abraços confundidos com amassos
e cacos perdidos no chão

não piso
, meu sangue,
não piso.
as palavras me invadiram
e me deixaram
sem o que dizer
a mor e
a morte
já são substantivos

infelizmente

enjoado como antes do vômito
insisto em verboerrar
traído mentira
louco?
Longe disso.
Perto, insisto.
perto de que?
da miragem

Estou perto caminhando
rumo ao horizonte
norte
rumo ao longe
que sempre ecoa nas letras
O som chega,
mas nunca basta.
fonte, jamais escassa
que pinga e chove na mesma taça
tempestade em caixa d'água

E desato esse rio
vazio
que mais grandioso rio
que filtro à fio
nos fonemas mascados
pela minha mão
Não!
não são rodas nada
é a minha voz
calada
meu calo que não se trata
ardendo ditoso na garganta
gritando
rápidos
restos
soltos
que aprendeu

Quanto dessa dor dependo?
Dar em tudo o que entendo
um tom suspenso
maldito suspense
que finge que penso

Pois se pensasse...



advinho

Já disseram:
ditados
de todos

tudo já dito
ditos, já fatos
caosjáculados



consulta

Procure
no seu riso,
pois eu já perdi
meu ciso!



VOAVA

A viola
inviolava
invioleve
melodia
voava vasta
vazava
soante



linha

Eu vou ter medo
aproximo
tempotempesto
vento no céu
jaz o futuro
na borra que bebo
enveneno de devir
devo à vida
copo de tudo
se vivo sou mudo
pelo principício
absurdo
fim



TEMPORADA

mas um verão
e mais um inverno
mais alguém mais perto
e eu com aquele papo incerto
na estação que estava
nenhuma paulista me consolava.
nem consolo
nem eu são
um ano passa depressa demais.
preciso de mais tempo para envelhecer

e conhecer
o que
tinha medo
nasci cedo
numa noite de sol brabo

caso não crie caso
quero que o acaso me case consigo.
numa tarde sem relógio
numa sala sem visita
nu mas sem vergonha
numa dessas
com a cabeça às avessas
espero rir à beça
desse nós



fora

Já tem sangue na rua
quero quero algo vermelho
para fazer o
coração maior
que uma casa.
para que fique
maior que coisa
que já pulsa
fora de mim



rebê

Matar os segundos muros
além daqueles serpenteados
de farpas
da amizade

um outro que pune
mais severamente
àqueles que não
o transcendem



agora não

Aném
disse a folha seca
diante do Juazeiro









Inté