23 de set de 2012

Depenar







 Lançei um gibi. Impresso por minhas mãos em serigrafia, quem o pegar saberá como é. Os textos que pus nele vem por maioria dos que aqui já pus, com excessão do primeiro que é feito especialmente para a impressão.  O gibi é irmão mais novo do blog, ainda imita muito mas tem certa independência. Poderão haver outros. O "poema concreto" que vem colorido aí embaixo foi feito para uma matéria de AutoCad que tenho; fiz uma tarefa para além da avaliação. É tudo. Até











Diagnose

O poeta imperador
imperativo
hiperativo cantor
lexicofílico

Um cênico
um cínico
um cíclico clínico
um-ama-dor



Virento

O tempo vai virar
virará tempo
a tempo
virará
vir a ver vira
atento
contra vir
vir a tempo
ver o tempo
virar

vira vento
ventará
virará o 
tempo
deve 
devir
virá
verá
tem vindo
vai vendo




umdoistrêsalvetodos

peco sem pique
sem pegos por perto
onde está fique
ou corra se esperto



apelação

Sou um homem de pelos
 que tem esses dois olhos
que procuram nos espelhos
respostas

sim,
sou este mesmo
Afirmativo

Sou esse homem de pelos
espero que não perca tempo
contando os cabelos
pois são tão tantos quanto o dono

que nasce
e nasceu
mesmo se o cortam
aí é que apelo

Um homem de pelos
por princípio
um erro por certo
eu dentro da letra
esse fora da folha
sem vestes
com vestes
impreterivelmente este

que venham
as lâminas
barbeadores
invistam
meu corpo é este
de corpo de pelos
de couros de sebos
decoro as íris com as quais olho

do corpo as fibras que enrolo
pois sou pelo que sou
pelo que entendo
pelo que aqui
vi
vendo



Me senti 
como um peixe
do mar
Engolindo 
bolhas naquele frio
líquido
ondas e sentidos
ultrassônicos
percebendo
baleias
entre plânctons






Encontro o que quero
No que estou jogando fora
Incrível com vão embora
Meus queridos dejetos







Inté

2 de set de 2012

Mente que avoa

_


Escritos das férias e augustianos:


TARDE DEMAIS
CEDO_________
_____SEM SONO
___AMANHEÇO______



sms

Quanto mais grafite
mais longe
não sei de onde venho
(qualquer mina que se esconde)
cinzas cingindo a folha
e você nem me responde



Cromia

Tem aqueles que tem as coisas bem distintas
cada qual em sua lata
cada cor com sua tinta

Mas tem uns tortos pintores
que mesclam matizes
furtam cores



Sugere

Nem conte
os amargos postos por todos
sem ter augúrio próximo
é que nada se adoça

Desconte
os próprios engodos
perceber o que dentro desgasta
já previne desgostos



Motivos

Em meu ábaco
somam-se sonhos furados
despesas, projetos opacos
britas raras sob seixos caros

esferas absurdas
intragáveis
escorregam
entre rochas
maleáveis

Em meu ábaco
,tear profundo,
há de tudo
menos cálculo



Você que não está me ouvindo
de nome que apelidei.
Não importa se lhe apelido
se não sabe quando usei

Eu que não sei se te ouço
desconfio de cada ruído.
Pois talvez sejas rouco
e também carregue esse grito


uma bolha envolve o grito
assim me sinto aflito



Mais-valendo

E eu que achava
que roubava
mal sabia
que estava
no prejuízo



bicho mais quieto mama da terra
cresce sem deitar
tem umas mil orelhas e denuncia o vento como ninguém
Ali esperando de olho fechado
parece que nem vive
é especialista no tempo
não tem apego com pai nem mãe
veias serpentes contra o céu
carregando seus sucos verdes
quase rezam mas têm preguiça dos deuses
nascem junto da chuva



A velhinha ouve as recomendações atenta. Aje meio lenta, ao seu tempo, e todos acham que é sua velhice. Mal sabem que ela bem sabe de quase tudo. A orientam e a guiam como se seu raciocínio fosse nulo. Repulsa antiga que ela tinha do mundo, aprendera já quase um século de amargas orientações dadas. Entrou pela catraca. Daí vários relutaram contra sua insistência de permanecer em pé antipreferencialmente. Todos recordavam todos para que permanecessem na inércia insone. Fincava os pés. Insistia em sua desobediência. Só ela se sabia como contra. Que por orgulho lhe amarrava a garganta. Com que mãos vibrantes e vozes vagarosas gritavam. Tanto pediram que ela se sentou. E todos engoliram um orgulho que os amargariam em uma progressão vitalícia







Inté