28 de jul de 2011

McFirenzeFeliz




E as férias, já era. Buono viaggio, arrivederci Italia; inté.


testamento

o tempo morto me trouxe boas novas de mim
trouxe-me
um pacote
de envelopes sem fim
que todos abri
menos este último
este último que aqui me encara
esta última carta
chamada presente



Mistério

Quanta língua pesa na boca do alfabeto
cada letra sua cicatriz e seu urro de voz
quem dera fosse oposto, letra esfinge
sem compromisso de significar
insignificando a rima
nem adianta 1ª conjugação



A imagem e a semelhança

Dez dedos
para dez anéis

O deus do barro fez o homem para casar-se em dez.
amém

Uns dizem vinte
mas aí já é outra tribo



permitido

Se até noutra parada
as vontades passassem sem pedir benção
o meu desconforto de agora teria existido
as pregas que forçam as desvontades
são os mesmos porquês
as mesmas dependências
que redimem as servidões
e completam os destinos lógicos

o direito é daqueles que têm
se não possuis
direito algum



ponte

A 11 mil metros do mar
não caio
,
rápido
, antes os pneus acolhem o chão
aterrisso na terra
aterrorizado com a altura que supero
e não



brinca

Escrevo como quem
criança
pulo



pula


a linha
que



me infância



reverberar

No oco
da boca
eco
digo
ouço

ouço

soa a carne
no osso
o osso



Além de dois

bem e mal
e o resto
, que vive



viração

o sol partiu
foi ce
em mil estrelas

brilhentos furos
piscando pregados no teto
descoberto

despedaços do dia
pendendo sobre a minha cabeça



Minha fé (Piauí)

jeitim tão bom
que humildade que simplicidade o quê?
estou falando de gente
num é di cristu não..

é só uma vontade de dar abraço
de rir junto
de estar junto
calor de conforto
afeto que arrepia
...
nada que lembre aqueles
dois pauzim véi
do calvário



Queima de verão

Turistas,
são tão belos

comprando



correria

Correm crianças na rua
e adultos remorrem histórias na sala
...
quem dera os livros fossem feitos de terra



Quando

Vez ou outra percebo o caos
seguranças evaporam impassíveis
sem querer me vejo nu no inominável escuro.
as paredes se dissolvem
e mesmo o que me vem contra
já não me vem mais

um homem sem seu oposto ainda o é?

pois aí sou solitário
solidário ao nada,
não por poesia
,mas por ocasião

aí percebo como sou,
aí que as palavras se perturbam
turvam
perdem

aí não há verbo
só eu só
ponto sem final



yes Sir.

os caminhos
soldados
da guerra
fundidos
pela lei



solucionando

Tenho raiva
mato
tenho culpa...
cavo



bandeira

Qual lugar que fugir
se parado mudo
arrastar tudo cavucar
e minha carne frágil
torna-se tanque
a fazer guerra contra o que fico



medo médio

toneladas milhares alturas cruzes enormes
gigantes cruzes cúpulas infernos
capelas telhas escadas fés milhares
de pedra
Deus me livres de serem esmagados



impessoal

Minha pessoa
qual? quais?
pois me puno me agrado me sexo me casa
quantos mis me rebato
debato qual eu é menos outro
mais pura parte que misturada
no tempo não seria
instante

E eu tão distante
procurando pepitas
nesse rio Vermelho

talvez seja um grão
chamado mundo inteiro



Num dia

Secocentoperdaposselínguasolidão permite-me o barulho de não ser silêncio inexato momento de não deixar o outro dizer o contragosto e espetar contra as minhas tristeza e alegria. Tomo indiferença contra esses, acumulo desgosto pois é o único ser que me acomoda, essa medusa de 651 pontas, essas noites de cansaço e sangue que bebo toda manhã. Quebro, me acidentifico e recupero meu descanso na noite que não durmo. Planejo minha vida até minha morte, agendo desenvolver-me, evoluir-me, indiferenciar. Pretendo negar as concessões; ordens, não sigo, não sigo ordens. Exageros tão belamente fiados (tapetes persas que despenderam milhões de escravos, arabescos armados, mil rubis prateados) são um saco. Por que escrever? Gastar do grafite do mundo, rasgar a esmo as queridas árvores do globo: Não há motivo; somente ato. Meu nome? Chamam. É a autoridade, O papa, O rei Do tráfico? Não. Então descanso.
Durmo. Boa Noite.



remando

Tomo da xícara o chá
quente
e permaneço frio
qual calor que
esquenta
esse meu gélido rio



passa porte

Comprou todos ingressos
Esperou todas filas
Estampou em todas camisas
Seguiu todos roteiros
Tão satisfeito!
conheceu
tudo



Repaciente

Destituí-me
de vontades,
guardei-as
num pote
para abri-lo
quando quiser,
Quando quererei?
Só o pote pode dizer.



conhecer

certamente o paladar
concorre com o cheiro
tanto quanto te
conheço
mais sabores
vejo



oco

Duas costelas faltantes
de pancadas que não levei
de cirurgias que não tive
simplesmente ausentes
tanto quanto a explicação



Diante da foto

Compro papel com desgraça estampada.
o que vejo me emociona.
Mas meu deus, porque essa emoção comprada?
Me traio na estampa
que pinta essa cara de gente sofrida
e sinto.
será que sofro só por essa tinta
paga?
apago os outros passando-os de folha em folha?
penso
se não morro
por sofrer esse papel.



regressiva

morro cada dia menos
até minha morte
ainda viverei



mordida contida

Tanta raiva
capaz de trucidar um grão de açúcar
e tão inexplicáveis e óbvios
os sentimentos amargos guardados
que nas escuras sombra
e momentos de espera
o frio desvela-se na pele
e até cria receios
desses escuros fundos poços
essa fúria desumana
desmedida
e que também sou



invento

Barulho desajuizado
você me lembra uma batida
de limão
chacoalhando minha cabeça
tremendo o chão
você merece o prêmio dos desmerecidos
raivosos cães babantes são seus parentes
famintos familiares que fuçam a terra
atrás do meu pescoço
que exibo com orgulho para os vampiros e jacobinos
mas não me preocupo pois não sou rei
nem tenho sangue
nem tenho medo do sol
nem de revolucionários
por quê talvez seja nas noites de sexta manhãs de segunda fim de festas
-feiras
Talvez te entenda
até demais
até me dê mais gorjeta se eu te disser isso
O que me diz se eu te for silêncio
assim será mais fácil:
eu te invento
você me corrige



VAIS E VENS

Por que na depressão
não se expressam as relevâncias
descompressam expressões
dissolutas na face

relevos assim cavados
causam até túmulos
Abdico a vivacidade
pois apodreço como as folhas
como as folhas, que apodreço

e aqui envelheço
morro que passo
vida que desço



até a próxima rodada

Relaxa(,)
que os bêbados se entendem



aaaaaahh

Comer, verbo mais ancestral
que antes mesmo da palavra
já comia vogal






Inté