30 de mar. de 2010

Monta-cabeça






Finalizando o mês. Planos em latência


Cri, cri,cri,cri ...

O que falar com o outro?
O que falar quando o assunto acaba?
As notícias foram comentadas, com comentários de cada um dos jornais das 6.
As piadas, já piaram nos ouvidos,
E os risos já foram calados,
Paira no ar o silêncio...
E como temos medo dele, parece que só somos humanos quando somos cheios,
repletos, gordos, fartos,
de assuntos, opiniões, críticas, recados, notícias, coisas importantes.
Ficamos assim, deflagrando olhos, e olhando as bocas cerradas,
Estranho, incômodo.
Qual assunto nos falta para nos bastarmos dessa estranha sensação de ser ser incompleto?



[p arte]

... E vivo de impasse
Entre luz e sombra
Entre mim e o outro
Entre o céu e o inferno
Entre a vida e a morte
Estou dividido
Em dez, partes, partido
Vivo dezequilibrando
equi-librando,
desmedindo,
pesando,
pensando,
agindo,
parando,
gerúndio...



goa

Água amarga,
choras ao engolida,
mas a guarda como presente traiçoeiro,
como cavalo tão troiano,
como veneno tão medonho,

Raivosa e paciente,
formiga o coração e range a força dos dentes.
Verás!
Engole tão bolo de rancor que se prende na garganta,
engole seco, entala voz.

Mas arde, semente malévola,
cresce em árvore,
vira-se pedra.




Inté

20 de mar. de 2010

A arte de preencher




Mantendo rotina, pelo menos tentando:




Plebe cito


E as minhas opiniões,
chegaram para mim e perguntaram:
“— Qual a sua favorita?
— Qual de nós é a sua?”

Tentei mediar,
andei em círculos,
cocei a fronte,
pensei.

Conclui: “— Minha opinião é ter nenhuma!”
Uma na platéia saltou e exclamou:
“— Não disse, não disse? Sou eu.”



Vestiba

seu concorrente sabe mais que você,
seu concorrente tem melhores chances que as suas,
seu concorrente é melhor,
seu concorrente é maior.

seu concorrente respira mais,
seu concorrente vive mais,
seu concorrente há de vingar-se,
caso você roube a vaga dele.
seu concorrente come mais e melhor,
Ele bebe uma água que nutre os neurônios,
seu concorrente, ... ele te espia! Cuidado, pode estar sendo vigiado.

Seu concorrente passou noites à espreita,
Vê aquele carro na esquina, é ele,
Prolonga noites, suprime dias.
Ele próprio lá te espreita.
Deixou de estudar, decorar, engolir livros
pois já engoliu todos,
pra te ver, te decifrar, te saber, te eliminar.

Mas o tempo passou para ele,
e ele te perseguia, te decorava, te sabia,
você foi tornando-se tão claro para ele,
que ele te via como transparência,
viu te nele.

Ele agonizou-se, desesperou,
tentou dar um tempo da investigação,
tirou umas férias,
andou por aí,
tentou.

Mas não, não adiantou.
Ele não desfez a imagem,
Quando lembrava de você,
lembra dele,
E assim, esquecia,
esquecia que era seu inimigo,
esquecia que te odiava,
esquecia que era seu rival,
esquecia que era seu concorrente.



Yo

Ao calar-me, me enterro,
me sepulto, me soterro,
abafo-me em mim,

Talvez seja um defeito,
ser muito externo,
tão externo que me expulso de mim

Me viro ao avesso,
desviro tripas,
Onde estou?
fora? dentro?

Me cuspo na voz que exalo.
Estou no som,
Estou no vento,
Estou no ar,
Estou nos versos





Inté

15 de mar. de 2010

Sirva-se


Opa, tamo aí:


Robobótica

Dia-a-dia robótico,
robo, róbo, róbi, róbo, rôbo, rôbo,
rôbo, bip, bip, bop, bip, bop, bip, bip
rob, bip, rob, bip, rob, bop,
robótico. Maquinamente maquinária, Engrenagem engrenada, Ações programadas, Risos ajustados, Passos coordenados, Cumprimentos cumpridos, Horários marcados, bip bop bip, Palavras contidas, Loucuras anuladas, rob rib rop, Excessos permitidos, Permissões confirmadas, Regras estabelecidas, Ordens ordenadas, Frieza garantida, Rivalidade acentuada, Desprezo afiado, bip bop, Compreensão desprezada, Inimigo eliminado, Esperança esquecida, Notícias repetidas, robo rob, robo rob, Dissimulações reproduzidas, Humilhações esquematizadas, Cópias memorizadas, Horas cronometradas, Gado abatido, Ar condicionado, Liberdade condicionada, bip, Condomínio fechado, Muros cercados, bop, Medo incluído.

Não adianta ser humano,
Seja máquina, bop, bip, bop,
seja frio e férreo
rob, rôbo, rob, rôbo, rob, rôbo,
Robótico.



bre

E a pobreza tornou-se paisagem,
como se tem rua, como se tem os carros, como se tem os postes, tem-se a pobreza.

Seres de fardo, de descaso,
Uma vida pobre que se amontoa na cidade,
perdidos entre polícia, entre fome, entre dinheiro,
lutam para não serem paisagem, fazem sangrar,
roubam, precisam,
e acabam tornando-se outra paisagem,
uma de crime, uma de marginal.

E tantas pedras se confundem na paisagem urbana,
tudo é pedra,
tudo é lixo.



Reservado

Conserve a vida,
em um pote de pickles,
numa conserva de sardinha,
dentro da lata de condensado,

Preservada no formol,
sem excessos,
co-medida,

Duradoura?

Monótona?











Inté

17 de fev. de 2010

E quando menos se esperava ...


Cheguei tarde mas vim, tento redimir-me para com minha freguesia assídua (cri cri cri) com mais textos. Oferta especial: "seis em um" com mais uma faixa bônus. Confira já:

Obs.: Tá meio "Random mode: ON"


Par ede


Parede
Para ede
Pa rede
P arreda
Parar de
Pararde
é meu muro,
de chapisco, de massa corrida, do piche, do portão, da elétrica cerca, da casa, do prédio, de Berlim, do México, de Israel, da China, da favela, que cai, da casa de condomínio, que cai, da represa, do subsolo, da camada de ozônio, do Everest, da cerca viva, da janela, da linha da redação, da fronteira, do dinheiro, da cor da pele, do tijolo, do gesso, do metal, da mente, do corpo, da física,
do invisível,
do muro,
do muro.



Ao mar

Amar o mar,
Que bate à porta da primeira vista,
da terra, da praia, da areia,
do náufrago, da sereia, do surfista

Meus olhos lusos,
azuis e salgados,
estão sequidos e marejados, diante de ti,
deparam-te como inspiração distante,
pois moro longe, longe, muitoalentejo,
mas uma piscina de ondas já me faz recordar,

Teu barulho, teu chiado, tua concha,
teu som faz me ressonar,
Ouço-te, ondulo-me,
Amo-te mar, Amo te amar.



em cadeia

Solidão não é independência
Independência não é liberdade
Liberdade não é bonança
Bonança não é felicidade

Felicidade não anula tristeza,
Tristeza não anula vontade,
Ter vontade, não é ter certeza
E a certeza é pura instabilidade



Pólis

E cidade?
São as.
Leve 100 e pague 1000
Se só vê uma,
é cego,
se vê todas,
cegou-se,

É torre babilônica,
da língua infinita,
recanto do sossego e do caos,
pode nela sentir-se náufrago,
tanto quanto formiga.

Cidade infinita, infinitcidade
míltipla,
e mesmo assim unidade.



Lagartixa de banheiro

Vive no banheiro,
à sombra de um sapato,
na umidade dum ralo,
sua hospedaria é a camuflagem.

E vive de que? E como o quê? E bebe o quê?
Água, folha, mosca?
Como o quê? Bebe o quê?

O único verde da fauna banheirística
é a pasta de dente de hortelã,
E a água que resta, é a que vaza da pia.
Insobrevivível, insobrevivível.

Digo. Alimentam-se de sentimentos,
Comem o que temos como próprio,
o que guarda-se como certo,
por isso é branca,
deglute pureza, engole coragem, meio medo,
mas variam conforme o que ingerem, sua cor,
vira verde, vira amarela, vira cinza, vira marrom,
camufla no ambiente que vive,
nesse caso,
você.



Auto

Como a imagem cega segue,
eu sigo cega imagem,
me traço no ar estrada,
na reta certa, fixo miragem.

Eu canto doido,
Eu doido canto,
Sibilo o som que ouço,
Ouço meu som, espanto.



Estrada afora

Na estrada torta,
e plana e imprecisa,
Ele se andava em carro,
e ele se atropelava em vida,
e bebia na poeira do vento da velocidade,
o resto da emoção que conseguia,
e ria, e sabia, e queria,
que o ar do tempo voltasse,
como o vento que em cara batesse,
correspondesse a cada ano, a cada mês, segundo
que seu vento regressasse.





Inté

15 de jan. de 2010

"That's the end.."

Pois é, né? Férias acaba.


Festa

Foguete fogo
de bêbado bebida,
saiu na festa saída,
A dança, o riso, o gole, o porre

Esquecer para festejar
dar férias à razão por uma noite,
e a noite sem razão
se torna a única razão dela existir

Irracionais racionados
comedidas bebidas
Embriagas lucidez

Se despe o ser das formalidades
veste-se ele do vestir que se entrete
tira a armadura
põe a insana veste

Será mais humano esse seu momento?
Será essa sua roupa a mais transparente?
Não sei se a si se torna evidente,
ao teu lado pulsante,
ao teu lado latente,
daquilo que também faz parte,
daquilo que se chama gente.



Neo-Barrocoárcade II

Minha selva, meu campos!
Quem será ti?
Quem tu és?
lar que eu sou residente.

Por um lado,
dizem que minha casa é a fazenda,
de verdes campinas,
alvas ovelhas,
e calmas bovinas.

Do outro,
sou filho da civilização, da urbe,
tenho um Volks,
uso um Windows,
como Mac Donald´s.

Oh, mortais paradoxos!
Viverei na placa do perímetro urbano,
assim não sou uma máquina,
nem sou mais um civilizado engano



Anacrônico

Aos dias que não viverei
Reservo as noites que já dormi,
Às letras que um dia escreverei,
Guardo as palavras que já esqueci,

À rima que ainda irei fazer
Aos textos que não publiquei
À impressão que me move a escrever
Estarei no dia em que nasci.




Inté

10 de dez. de 2009

Prato novo na mesa





Bem! Eh... Bem! Tenho umas três experiências aí. Eu sempre faço cartum, ou charge, seja lá como for o nome disso. Mas o problema sempre foi digitalizar, então eu começei testando com essas aí. Tentei seguir meu traço apesar da vetorização (digitalização) condensar bastante o desenho. Apesar da resolução tá baixa a culpa é do Blogspot, pra ver melhor é só clicar na imagem. Espero que gostem.

















Inté

7 de dez. de 2009

Ahhhhh, férias!






Férias no começo. Tamo aí.




Assalto

Eu roubei.
Mas a mim não me culpo.
se furto, se roubo, se curto,
minha carapuça de ladrão.

Esguio gatuno de passo soturno,
calço o escuro, visto o invisível,
procuro com fino faro felino,
sou simbiose da escuridão.

E o objeto o qual afano?
roubo calado, roubo mudo,
Sentimentos que réptil rapto, capturo
coisas esquecidas pelo coração.

Abocanho teu riso, teu choro,
a saudade e a pureza, amor e ódio,
o louco lento luxo.
O que não dá valor, minha atração.



Estórias

Um dia me contaram uma história,
não lembro muito bem do começo,
recordo mais ou menos as primeiras intrigas,
não sei dizer como é o clímax,
O desfecho é bom, mas ...,
Sei lá, Sei que termina com um cara que não lembra nada.



O merecido descanso

E ele esperou tanto,
não tinha mais trabalho,
ora extra, patrão enchendo o saco,
os colegas chatos, os funcionários horríveis,
a sala apertada, o computador insistente,
secretária enjoada,
mais nada,
mais nada.

E agora? Se sentiu meio perdido.
Arranjou o que fazer,´
tá vendendo coco na praia.
Trabalha o dia inteiro,
mas não teve férias melhor.
A praia é linda!






Inté

21 de nov. de 2009

O invisível não é o inexistente


Tão três. Feitos, como dito por alguém, na "capital do Capital": Sampa.



Em baixos


Embaixo dos lábios tens dentes,
Se revelados? Sorriso.
Cavucando as costelas e o pulmão,
Ah ali reside o coração! Será ele o pai do sentimento?
Destrinchando a polpa e a casca da fruta,
Acharás o que? Sementes, o que recomeça o ciclo, revive, resuscita.
Fuçando o cérebro achas idéias, mundos,terras.
E cavando essas letras, o que achas?
Eu? Você? Alguém? Ninguém?
Todo mundo?



Subliminar

Escondido, oculto, resguardado.
Enterrado num canto ainda não cavado.
Sua existência não existe antes de ser descoberto.

Ou será que sempre lá esteve?
respirando curto, não provocando demais,
fazendo-se simples, humilde,
se incomodando quando incomodava.

Era um (des)propósito omisso,
conservado secreto, pelos olhos externos e internos.
Até. Nascer-se. Para si e para outros.
Fazendo desistência de sua a-existência.
Querendo estar (,) só para ser presente.



Sobre as idéias observadas durante minha estadia em versos, não avaliando fatos paralelos, decorrentes de idéias aqui não necessárias de serem citadas; ressaltando, entretanto, subaspestos implícitos indissociáveis da prática da escrita.

Viver.










Inté