14 de set. de 2010

Gosto discutível


Escritos novos.


Poema de mesa

Eu pus na salmoura.
E se eu nunca te amasse?
...
Me passa a cenoura,
me dá o alface...



Olhos nos olhos

Acreditaria em mim
se fosse preciso;
pois com meus olhos vesgos,
que olham a si mesmos,
só enxergaria necessidade,
em outros olhos de mim tão esmos.

Outros olhos,
a desentender-me:
obtuso globo oblíquo.
Sendo eu desajuste ocular;
lugar em mim tão longínquo.



didática

desde muito fui adestrado
a bater palmas,
comer de garfo,
não peidar na mesa,
amar com dor,
desejar aos poucos,
passar de ano,
não morrer,

tenho aprendido meu número da roupa,
como minhas calças dizem das minhas pernas,
a honra do sofrimento,
que as horas não tem brincadeiras,
que o céu não é verde,

Estudos: são integrais,
um curso fixo da grade.
Caderneta na mão não adianta
não vai conseguir copiar tudo.
Vá absorvendo, vá!
Não lhe faltarão
provas,
nem surpresas



Ausente

Sem-graça estava,
todos sorrisos,
todos abraços,
e ele? Nada.

cantaram salsa,
contaram história,
compraram-lhe par,
convocaram partido,
Contudo, nada.
sem ele
se desencontrava.



Gabarito

Julgue os itens a seguir
e marque
I para inocente, e
C para culpado



Baco

Fiz uma festa
para meus inimigos
mais íntimos.
Todos vieram.
Um trouxe absinto,
Uns trouxeram arsênico,

Vieram camarões,
amendoins,
pólens,
na esperança de uma alergia.

Ah, quanta alegria,
xingavam,
gritavam,
bebiam,
e quando necessário até sorriam.

E pude me expor à vontade,
mostrando-me alvo,
na mira de tanta bondade,
Lá podia cair no chão,
rolar,
amar, até.

Os doces venenos que traziam,
as puras invejas,
os orgulhos macios,
conversas pretenciosas,
todos intenções,
Eu ouvindo tudo,

Sendo eu anfitrião tão decente,
tratava-os merecidamente
mal.
Cantavam, calava
Escarravam, beijava

Estava sentindo
, em meio àquela companhia,
como o mais inteiro oposto.
e sorrindo punha outro rosto,

O sobrolho que me vinha
era o mesmo dos convivas,
aquela velha mistura
que está entre
ovos
e
vivas



acitílop

Posso até concordar
com o que dizes,
mas te defenderei
até
a
morte
.








Inté

6 de set. de 2010

Sem ramo de oliveira


Primeiro um hai cai, sei lá se é mesmo, depois uns (a)normais. Tamo aí esperando alguma coisa pra motivar a espera.



Uma mulher
cheia de vírgulas,
nunca chega ao ponto.



fidelidade

Cachorro é o melhor
amigo do homem
que é seu dono



Doutro

Se enjoasse do gosto da minha língua,
dos fios dos meus cabelos,
Se negasse o que penso,
o meu corpo,
Se estranhasse meu passo,
meu rosto,
Se fugisse
Se me levasse
me rejeitasse
Ah, se
fosse!
Seria um exemplo.



Desplicações

Porque me sinto jogado,
sem motivos ou explicações,
só ali,
num canto de mim mesmo.
quando tropeço tomo cuidado para não cair em mim.



praga branca

Rasguei a paz
para examinar seu intestino,
advinha quem engolia?
Toda diferença,
todo indivíduo,
até ela mesma necessitava engolir-se.
Certificar-se,

Cuidado quando em paz,
pode estar morto,
pode estar engolido,



monoálogo

que coisas você me disse?
Pois eu só fui surdo de propósito.
Mesmo que tenha dito sem êxito,
"Pra ti sou toda surdice."









Inté

28 de ago. de 2010

Dizgosto




Furtivo encontro

Um peixe perguntou ao outro
De onde vens?
Ah, venho de águas frias do ártico, E Tu?
Venho das calmas ondas do mediterrâneo.

Amaram-se loucamente,
trocaram histórias, lembranças e fluidos.
Amaram-se eternamente
por sete semanas.

Até que um dia a bela ibérica fora levada
Partiu triste por um carrinho, sem a tão dolorosa despedida,
Nosso nórdico só viu a ponta da embalagem de sua amada,
Sumir na curva do horizonte.
Chorou lágrimas congeladas.
Sofrerá profundamente, até quando sua validade durar.



laguna

os olhos começam água
começam gota à gota
liquefazerem-se

e os restos
tão sólidos,
insistem permanecendo
para verem cegamente
restos fenecendo.



estranheza

Você me lembra o ipê.
Florir.
Pra quê?



atrasos

Sou um assassino compulsivo de horários,
mal posso vê-los para
Matá-los



Parição

Quando com o palavra
no papel me deito,
Dou luz a isto;
pequeno poema d'efeito.



Tifo

Noite quente
sem sentido,
Hoje: Morte
Amanhã: duvido...








Inté

13 de ago. de 2010

Morto....Vivo....Morto....


Blá, blá, blá...


Imóvel

Pousou como pedra,
Fez cara de mineral,
Fingiu não pensar
não sentir,
mover não,
Ficou estátua

"Quem dera
a dor do movimento
se curasse
com a paralisia"



as três vidas

Não.
Por quê?
Sim.



Contacto

Perto demais,
perto demais,
Estou perto demais de mim
para entender-me.

E então,
como entender quem é
o outro?
Só ando com medo
de conhecer-te-lo-me.

Apavoro aproximação,
por que tenho medo de ser.
Ser outro sendo eu.
Ser eu sendo outro.
MorrNascendo a cada transfigurção.



In Precisões

Não tenho necessidade nenhuma.
Minto, tenho sim,
Tenho necessidade de
sentir necessidade alguma.









Inté

4 de ago. de 2010

Limpe sua consciência, menino!


Férias boas, sem relatórios. Duns tempos pra cá ando escrevendo estranho ,mas acho que já retornando a mão



Pobre Vida Pobre

Tinha vida,
Ah, e como tinha!
Como dizem
tinha vida para dar e vender.

E vendeu,
naqueles tipos de prestações que diminuem com o tempo.
Não, não deu a ninguém;
a valorização era muito boa
e tal desperdício seria inadmissível...
afinal, estamos falando de vidas.

A barganha pareceu boa,
apertos de mãos,
carimbos assinados,
e cada caneta rindo da vantagem que acabava de tomar,
orgulhos que são bem confortados nas amenidades comerciais
Essas letras secretas do escambo.

Uma levava uma vida,
outra prestações.

Nunca se soube quem saiu no prejuízo
uns disseram que as prestações eram muito pequenas
que o tipo de consórcio não era lá um dos melhores.
Alguns Advogados amigos mais exaltados
bradaram:
"— Isso É Caso De Justiça, Defenderei Sua Causa No Tribunal
E Te Trarei A Honra Digna Dos Honestos."

outros disseram que não se era mais uso,
bancar vidas completas por conta própria.
os juros eram muito altos,
e as garantias eram seriamente pequenas.
Já se é uso a compra parcial de vidas.
Que além de ser muito menos arriscada,
os custos seriam ínfimos por serem bancáveis por múltiplos investidores.
"— novos tempos, novos hábitos."
- riram todas as gravatas frouxas em volta da mesa do bar.

Mas não,
as duas partes ouviam surdas
as opiniões alheias.
Concordavam
que
nunca fizeram melhor negócio de suas vidas.





Corda bomba

Estou dependo rado
em vida no varal
sempre tive um dom para equilibrista...
Espero.



ameaça

Era uma fera
Grrrrrrr...
De dentes lixados
e garras aparadas



Caixola

O que guardo na mão?
Dedos.
O que guardo na cabeça?
Idéias.




Vaga memória

E o meu nome,
ando esquecendo,
Tento lembrar dele
balbuciando todas sílabas
...
...
...
Dê-me uma Listel,
acho que lembro meu telefone.




carne seca

Tenho secado meu riso,
ao sol que tudo seca: desilusão
caído, calado, traído,
rima perdida, perdida canção



Proder

Poder se apoderar
Podendo poder tudo,
Podendo tudo,
Phodendo tudo,

E podendo sair
pôs pregas.
para assim poder ser visto,
e assim poder poder poder
Poder poderoso poder
Podendo poderios podres
Poder
Proder.



Limpeza

Nada como limpar a consciência
com um papel higiênico
100% reciclado




Genosip

Geno Cidappi
Matri Cidappi
Parri Cidappi
Suí Cidappi
Pesti Cidappi
Cida de









Inté

14 de jul. de 2010

Rain dance

Ultimamente tenho sido breve. Gostei de perguntar, é interessante esse jeito de escrever porque você se dá conta de sua resposta. Férias é bom? Não quero responder hoje, deixa pra quando vierem as aulas.

Boa relação


Não há bônus,
camaradagem,
companheirismo,
feriado extendido,
cesta básica,
desconto,
puxa-saquismo,
intimidade,
prêmios,
aquela semana que não pode ir;
que camufle um dia de pagamento.



Receita

Para saber qual é a sua doença?
Me dê o nome do seu remédio



[aperto]

[Eu, me sinto
Eu, mi cinto]



Herança

O que resta do índio?
Uma mandioca transgênica.



Juros

Jurei te amar,
Amei aos juros,
Prometi ficar
para fugir em apuros








Inté

26 de jun. de 2010

BUM!


Uns cacos aí.


Animaux

com a faca e o sangue na mão,
o assassino julga-se acidente,
com a doidura acalmada, e o arrependimento na porta
a razão dá as caras,
e com um riso irônico
te condena,
Sofra por não ter pensado,
é animal ou é gente?
E o carimbo te mata,
maldita faca latente.



Crença

Ambos
O diabo
e o sacristão,
acreditam em deus



Náusea

Ainda verão sol
Sol ainda verão
Ainda verão, sol
Só verão
Sol só
o verão!


Bons Valores I

Nunca falte com o respeito,
mesmo quando te diz respeito desrespeitar.
Não ouse cometer pior defeito,
Respeito sempre em primeiro lugar







Inté



12 de jun. de 2010

Pode passar senhor...



Junho, e que venham os vestibulares já comprei minhas armas.



Dentadura

Entre o riso mais diplomático
no viés do vão entre os dentes
há mais perigosa cárie
mais corrosiva,
mais indecente

Nesse vão mais vazio,
nessas falas mais vagas
no seu oco mais fundo, escuro e sujo
é aí que surgem seus caninos
esses dentes que afio, desses que fujo

Não por natureza canídea
nem por maldade demoníaca,
mas por que ser também rosna
quando outro dente o desafia
rosna, quando sangue lhe esquenta
quando outro dente em sua carne se enfia



Taxar

E o algoz?
o pior é identificá-lo.
Trazer a etiqueta à testa;
de quem?
são tantas testas,
tantas,
Tantas, que até cobri
minha testa delas.

Não tenho mais paz,
só etiquetas.



Sobre meu caoso

É tempo de boca muda,
é tempo,
de descrer os velhos valores,
que já apodrecem dentro do corpo,

Tão mudo, que dentro grito mil discursos
e uma boca só,
quem dera o problema fosse só dizer,
desmudar, desnudar,
Antes de tudo é preciso mudar,
e tudo que isso traz por consequência.



Pálpebra

E os olhos espantados
olham com tanto espanto,
que já se é capaz de se espantar
de olhos fechados.







Inté